Dezembro 2007



Sons pelo mundo

Apesar de não ter o menor talento para música, sou grato por ter crescido
em meio aos mais diversos ritmos, estilos e gêneros. Graças a uma
belíssima coleção de discos do meu pai, se não completa, rica o suficiente
para que tenha me feito chegar aos dias de hoje aberto aos mais variados
sons musicais, beirando ao exotismo, mas não acredito, pelo parco conhecimento
teórico, que possa se dizer que sejam sons sofríveis. Conhecimento que me permite
tomar conhecimento além do primeiro 'impacto', não correndo o risco de um leviano
e injusto parecer. Somado a isso às infinitas possibilidades de acesso da internet, me perco deliciosamente em sons e misturas musicais que vão de tribos do xingú,
morros do Rio de Janeiro, 'hermanos' argentinos, hard-rock americano à excelentes músicos do outro lado do atlântico. Dos mais conhecidos vindo do Reino Unido à pérolas que fazem da música uma arte cada vez mais mundial, sem perder sua identidade e personalidade. Onde descobrimos bossa nova em esloveno, trash-metal com ritmos tribais, música eletrônica com influências de pontos umbandistas, mantras
com 'levadas' "pop" e velhos estilos visitando novas possibilidades.
Para aqueles que curtem projetos gráficos, soma-se em alguns casos
verdadeiros colírios para os olhos, sendo quase impossível não ter em
mãos para ser tateado nesta era tão digitalizada.

É permitir-se ouvir e viajar...

1. Gabriel | Lamb
2. Everything I cannot see | Charlotte Gainsbourg
3. Love Cats | Jamie Cullum & Katie Melua
4. So Long Jimmy | James Blunt
5. Extreme Ways | Moby

6. Make A Memory (You Want To) | Bon Jovi

7. O Sonho | Madredeus
8. O Trenzinho do Caipira | Egberto Gismonti
9. Ultima Patetica | Patetico
10. O que você quer saber de verdade | Arnaldo Antunes
11. Lenda | Céu
12. Graveyard Polka | Damm Laser Vampires
13. Miedo | Lenine & Julieta Venegas
14. Debaixo d'Água - Agora | Maria Bethânia
15. Magamalabares | Marisa Monte
16. Na Varanda | O Teatro Mágico
17. 1.000 Guilhotinas | Pato Fú
18. Sem Mandamentos | Oswaldo Montenegro
19. La edad del cielo | Jorge Drexler
20. Mantra | Nando Reis
21. O Mundo | Ney Matogrosso & Pedro Luís
22. O Último Anjo | Isabella Taviani
23. Sodade | Cesaria Evora & Eleftheria Arvanitaki
24. Retrato em preto e branco | Maria João
25. US | Regina Spektor

26. All At Sea | Jamie Cullum
27. Corra e Olhe o Mundo | Ney Matogrosso

... e mais um mundo de música...

[Claudio]

.............................................Desejos



.............................................Crescem


Das trevas, ao cinza, às cores, à iluminação [Desejo]

Desejo uma pequena centelha
Um lapso no previsível tempo
Que desperte a dúvida e rompa a estabilidade
Um mínimo, que após acontecido
Abra portas para questionamentos, reflexões
Onde na pior hipótese fique
A dúvida se real ou sonho

Desejo uma centelha
Que ilumine o redor
e na impossibilidade de avistar-se algo
Avistou-se a luz
Ainda que frágil e momentânea
Visto-a nem tudo é trevas
Nem tudo é certeza
Nem tudo é vazio

Desejo uma centelha
Como um sonho
Uma idéia louca
Um castelo de areia
Uma garatuja
Uma incerta poesia
Que conduza ao real
E ainda que o chegar seja incerto
Tenha proporcionado a caminhada

Desejo uma centelha
Que aos poucos vá crescendo...

"Não foi uma explosão de cores, foi uma centelha..."

[Claudio]


"Lembre-se: sua palavra só terá
poder de transformação quando
for vivida."





[Recantos | Ana Franco]

Dezembrar


Voltar a descobrir-se, forte, frágil, humano.
Voltar a caminhar, rumo ao desconhecido,
ao desejado, um não a inércia.
Voltar a amar.

Um ano de muita arte, cultura, informações
Fotografia, exposições, livros, poetas, idéias,
músicas e ideais.

Um ano intenso, conscientemente intenso
De amizades, família, de "ser quem é".
De materialização, materialiações.

Isto não é o fim
apenas um começo,
ou porque não,
o começo...

[Claudio]

Exercício das pequenas coisas

Ir além, ou ficar aquém?
Aquém de nós mesmos,
do que poderíamos ser,
ver, desfrutar, viver (se).


Ouvindo
- Katie Melua
- Portishead
- Fernanda Porto
- Belo Veloso
- Janis Joplin

Lendo
- Utopia e Paixão | R. Freire e F. Brito
- A Cor dos Meus Sonhos | Joan Miró

Visto
- Os Sonhadores

Caminhos
- Ecletismo Musical
- Discos do Brasil
- Telhados do Mundo



[Não é o Rio | Partes]

Sem fantasia


Preciso não dormir
Até se consumar
O tempo da gente
Preciso conduzir
Um tempo de te amar
Te amando devagar e urgentemente
Pretendo descobrir
No último momento
Um tempo que refaz o que desfez
Que recolhe todo sentimento
E bota no corpo uma outra vez
Prometo te querer
Até o amor cair
Doente, doente
Prefiro então partir
A tempo de poder
A gente se desvencilhar da gente
Depois de te perder
Te encontro com certeza
Talvez num tempo da delicadeza
Onde não diremos nada
Nada aconteceu
Apenas seguirei
Como encantado ao lado teu.

[ Chico Buarque e C. Bastos]


[José Teixeira]


"Uma espécie de solidão estranha"


Nada [Poetas do Tempo]

Somos Nada
Um nada de deserncontros
Ardis lembranças
Luz decomposta em milhares
Milhões
Infinitas
Palavras
Sentimentos

Somos Nada
Próximo da Grandeza Divina
Somos o Absoluto
Tão grande quanto Inteiro
Somos o Nada
Infinito

[Claudio]


................... Visto
................... - Elefante | Gus Van Sant
................... - Primavera, Verão, Outono, Inverno... e Primavera

................... Ouvindo
................... - Francis Hime
................... - Oswaldo Montenegro
................... - Stone the Crown

Caminhos
- Crown Dozen
- Canal 69
- Design Store
- Eat Art
- Evoke
- IoNoi
- Fluxus
- Molho de Brócolos
- Papoilas que pingam algodão doce
- Virou KIbe






O Poeta e os Músicos



Leitura poética

"Quando com dedos táteis toco

...

Todas as flores, tons e cores:
Vejo tua fala na pauta
Como o mago da flauta faz da clave
O sol.

...

E, de olhos fechados, irmanados do segredo,
Vejo-te-me vendo.
Bem-te-vi. Bem-me-vês.
Poema do ser para ver."


[Trecho de "Para Ver | Cantabile - Paulo de Carvalho]




Pausa para o café


A Menina que Argilava Versos*

"Ungida de óleos sós -
Sonhos... Sonido das harpas... [lamento de chão].
............ Tons pastéis de argilas
Trazia em si incensos dos templos [contemplar].

Precioso sachê de tule, orvalho.
Exalava os amanheceres das colheitas
............ Outonais... Primaveris... [Pias imagens]:
Universo de seus anseios instados.

Bela relva de brocado estendido,
Ateliê escolhido, segredo das letras
............ Em minúcias, o colher das palavras.
Bastava intentá-las em mãos [já brotavam].

Feminina menina brincava o viver
Sagrado das águas em temperos de sal.
............ Camafeu-sorriso... Em canto mais doce
Amassava letras - raros modelares.

Harpa menina: outonos, madrigais...
Despertava, assim, as manhãs [catedrais de azul vitral]
............ Vermelhos de Vida que por viveres queria.
Argilava palavras em verazes jarros.

Versos ela criava
Das argilas do ver... Verbo
............ - Por melhor presentes... O esculpir das Harpas..."

[Cantabile - Paulo de Carvalho] | * Para minha encantadora Bruxa, Claudio




Na bagagem do fim de semana:
Poesia, música, livros, filosofia e muitos amigos,
ocupava também gostoso espaço um pouquinho de saudade.
Amigos de outros tempos, amigos de agora e quiça de depois.
Alunos, professores, mestres e aprendizes.
Amigos que lêem, pintam, escrevem, declamam, cantam... encantam
Amigos que aplaudem... com o coração.

Na bagagem do fim de semana:
Leitura na ponta dos dedos.
Das cordas do violão ou dos grãos de alpiste
que cantam poesias.

[Claudio]






[Ana Luisa]

Lá estavam os azuis
Os olhos e a sensibilidade
As pernas e passos
Que a conduziriam até os seus sonhos mais distantes

De cima de seu salto
Via horizontes
Nuvens, gente
Cores, luz e sombra
Desenhava com a luz
'Escrevia' assim, parte da sua história...

[Claudio]


CRIADOR


[Claudio por Bruno WAnderley]


"CRIATURA"


[SOPEF Dez.. 2007 | Claudio]


CÚMPLICES


[Turma SOPEF Dez. 2007 | Bruno Wanderley]


Ouvindo
- Roots | Sepultura
- Alfagamabetizado | Carlinhos Brown


[Lara Jade]

ESCUTATÓRIA

Sempre vejo anunciados cursos de oratória. Nunca vi anunciado curso de
escutatória. Todo mundo quer aprender a falar. Ninguém quer aprender a
ouvir. Pensei em oferecer um curso de escutatória. Mas acho que ninguém
vai se matricular.

Escutar é complicado e sutil. Diz Alberto Caeiro que "não é bastante não
ser cego para ver as árvores e as flores. É preciso também não ter
filosofia nenhuma".

...

Parafraseio o Alberto Caeiro: "Não é bastante ter ouvidos para ouvir o
que é dito; é preciso também que haja silêncio dentro da alma". Daí a
dificuldade: a gente não agüenta ouvir o que o outro diz sem logo da r um
palpite melhor, sem misturar o que ele diz com aquilo que a gente tem a
dizer.

... Contou-me de sua experiência com os índios.

Reunidos os participantes, ninguém fala. Há um longo, longo silêncio.
(...)
Todos em silêncio, à espera do pensamento essencial. Aí, de
repente, alguém fala. Curto. Todos ouvem.

Terminada a fala, novo silêncio...
pois o outro falou os seus pensamentos, pensamentos que ele
julgava essenciais...
É preciso tempo para entender ...

...

Não basta o silêncio de fora. É preciso silêncio dentro. Ausência de
pensamentos. E aí, quando se faz o silêncio dentro, a gente começa a
ouvir coisas que não ouvia.

Eu comecei a ouvir.

Fernando Pessoa conhecia a experiência, e se referia a algo que se ouve
nos interstícios das palavras, no lugar onde não há palavras.

A música acontece no silêncio. A alma é uma catedral submersa.

...

[Trechos | Rubem Alves | Via Marie]




[Claudio] ...................................................... Daqui até onde a vista alcança, vejo-te além...


Presente

Que o ontem, futuro
Seja hoje
Que o amanhã, futuro
Seja hoje

Que os sonhos de outrora
Traçados para algum lugar/tempo vindouro
Se encontrem
Hoje

E que hoje
Nasça um tempo único
Onde distâncias se encurtem
Onde sonhos e realidade se fundam

E que hoje
Seja a sagração
Do passado e do futuro
Seja nosso Presente [sempe]

[Claudio]





 





Sempre [Claudio]

Foi-se o ano
Quem veio
Vai ficar
Quem partiu
e não voltará
Quem foi até ali
Quem ficaremos esperando
Quem nos espera

Quem nos trouxe até aqui
Por quais caminhos
Atalhos
Via expressa

Quem despertou
Despertamos
Abriu sorriso
Derramamos lágrimas

Quem encontramos
Reencontramos
Desencontramos
E seguimos

Quantos anos construíram esse
Quantos nomes
Quantas palavras
Imagens
Sons e silêncio
O que levaremos
Até o ano que vem
Até o outro dezembro
Até o último momento

[Claudio]



[Alice no País das Maravilhas | Autoria DEsconhecida]


Partir
Chegar
Não sair
Ficar
Pedir um café
Dois
Tocar os lábios
Se tocar
Tocar o outro
Dizer
Deixar crescer
Gozar
E ficar

Um dia
Dois
Hoje
Ontem
Mais
Sempre
Aqui

[Claudio]





- Andrea Tavares
- Ludicices
- Maria Valentina
- (we are) Mono
- Paintalicius
- Cinerama