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Claudio Partes
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manual dos Sentidos
|..............................................,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,....... Dezembro 2010
 
|.........................................................................|....................................................



"Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas, que já tem a forma do nosso corpo, e esquecer os nossos caminhos, que nos levam sempre aos mesmos lugares.
É o tempo da travessia: e, se não ousarmos fazê-la, teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos."

[Fernando Pessoa]
 

 
Zbyszek Kordys
   


O que eu vejo nela

A incômoda dor, a inquietude,
o caminhar apesar de todas as dores.
A fragilidade que não se cala,... inconformada.
Vejo o silêncio, os segredos, o vazio a ser preenchido...
A busca por respostas, ... a busca...
Vejo os olhos, horas despertos, horas sonolentos
(o que sonham estes olhos?)

Nela vejo a vida, sem respostas precisas, sem lógicas absolutas...
Vejo o espelho da vida, tamanha complexidade e... simples.
Nela vejo escolhas, as escolhas que podemos fazer junto com escolha nenhuma.
Isso não é bom, não é mau apenas é a vida,
ou o que vejo nela.

É como olhar a vida, podendo amá-la ou odiá-la...
talvez ela se importe, talvez lamente, talvez nem aí...
Eu, prefiro amá-la. Não se pode ser indiferente à vida,
ao que não compreendemos.
(acho que não existem motivos para amar. Se ama,
como se vive sem respostas precisas.)

As vezes não vemos com os olhos...
ou o que vemos esta fora do que os olhos, e as palavras compreendem.

Está lá, sabemos que esta. Beira o sorriso,
o jeito de andar, o timbre de voz, a temperatura do corpo,
a imprecisão e as incertezas...
poderia se passar pelo conjunto, onde a ausência
de um 'detalhe' a faria outra que passaria despercebida.

Talvez através dela me veja.
E o que isso significa ou resolve???...

Que as perguntas e respostas da vida não tem a
pretensão de respondê-las ou significar algo além da vida.

O que vejo nela, apesar de todo caos, de toda loucura e
falta de sentido é o desejo de encontrar-se...

Nela eu me encontro. E como na vida, não tenho
certezas. Tenho mais perguntas, menos respostas.
Mas isso não é o bastante para que deixe de gostar,
de desejar de querer vivênciá-la.

Claudio Partes
 



 
Nils Völker
   


Sol
[i]tudes

'Lost in translation'
Onde as histórias se cruzam [encontram]?
'Clara manhã
dequinta à noite.'
'O mundo sem nós'
in secrets words
...

Existe
A certeza
A fé
A loucura
a guiar-nos...

o que te guia hoje?

Claudio Partes
 



Ouvindo/Curtindo: The Glitch Mob
- The Apple Tree | Vídeo Youtube
- The Gitch Mob | Site

Caminhos
- Today and Tomorrow
- Vimeo
- Nils Völker
- Desabafos Sentidos



Se tens um coração de ferro, bom proveito.
O meu, fizeram-no de carne, e sangra todo dia.


Saramago
 




 
   


.lacuna.

"No pequeno espaço do tempo em que nos desce, goela abaixo, um silêncio que aflige.
Mastiga-se a falta de.
Digere-se a vontade por.
Até que se possa remoçar a palavra certa como uma evidência da sensação."

 



Com fome

"Acordou com uma fome... Abriu a geladeira. Comeu o que tinha: três bananas, um tomate e quatro ovos. Nada da fome passar. Andou pela casa. Deu quatro voltas na mesa de centro. Tinha fome. Tinha fome. Revirando, descobriu uns chocolates guardados. Eram velhos e murchos. Comeu-os. Na dispensa, uma lata de milho e outra de sardinha. Comeu-os, os milhos, as sardinhas, as latas. A fome aumentava.... "

 


Antes que o ano termine

Há quanto tempo esperamos por mudanças?
Há quanto reunimos coragem?
Escolher caminhos, desbravar, trás responsabilidades,
e maior que a cobrança ou apontar de culpas dos outros
é quando temos consciência de que nós fizemos a escolha,
que sabíamos dos riscos.

Poderíamos seguir, como tantos outros seguem,
não que estes acertem mais ou errem menos, talvez
apenas tenham mais cúmplices, e seus erros sejam os
erros e acertos de tantos outros.

Quero um pouco de silêncio,
ou melhor um silêncio sinfônico, que valorize
as notas mais altas.
Quero [re]conhecer a família,
rever e dedica tempo aos amigos.
Transformar esboços em arte, que preencham espaços, vidas.

Apesar de sumido e distante quase que o ano inteiro,
meu agradecimento aqueles que, mesmo sem se darem conta,
que contribuíram para que o ano não passasse sem vida:

Ricardo Tammela, Marco Aurélio e equipe da FASE, Cris, Evaldo, Cyro, Karen,
Sopefianos, Rosa, Sigrid, Luiz Áquila, Sancler, Somanianos, Jorge Lopes,
Adriana Grandi, Tathiana, Laizyr, Lucy, Célia, Flávio Menna, Ana Cristina e
Sr. Geraldo, Sr. Rodolfo, Joel, Glênio, Clarisse, Mal e família, Claudia, Sebastião,
Renatilde, Frederico, Silvia, Turma dos Anjos e provavelmente algumas pessoas merecedoras que minha desvairada memória não trás a mente neste momento.

A TODOS OBRIGADO!






 
Claudio Partes
   

Respirar São Paulo


“S” de Sampa, de Sentido, de Saudade.

Quando digo que vou respirar em São Paulo , me olham como quem diz:
"Enlouqueceu?"

Difícil convencer de como é possível.
Diria ser um amor de tempos distantes, pelo caldeirão que é a metrópole
paulistana, de quem antes dos 15 pensava em viver um tempo lá, de quem
guardar uma foto com uma placa na beira da estrada dando motivos para
não esquecer e se apaixonar de vez pela cidade cinza que não dorme.

São Paulo de misturas, diferenças e indiferenças. De encontros de
universos 'quase' impossíveis. De amores, ódios e todos os outros
sentimentos.

São Paulo das chuvas de verão, de primavera que floresce em meio ao
concreto. A cidade também ama e inspira amores.

São Paulo de arte, centros culturais, galerias e viadutos. De mega livrarias,
da casa de amigos especiais e quartos de hotéis que guardam deliciosos
sorrisos.

Viver São Paulo é aprender a conviver com as diferenças. É conscientizar-se
que o mundo não é perfeito, nem o outro e muito menos nós. É sentir-se tão
louco quanto o mundo. Pequeno, repleto de dúvidas e questionamentos e saber
que não se é o único.

Claudio Partes
 



 
Rosa Paranhos e Claudio Partes | Arte Garagem 2010 - Casa da Ipiranga
   

Boas lembranças do ano:
Fazendo Arte (Garagem)




Vida

" Luz, quero luz,
Sei que além das cortinas
São palcos azuis
E infinitas cortinas
Com palcos atrás
Arranca, vida
Estufa, veia
E pulsa, pulsa, pulsa,
Pulsa, pulsa mais
Mais, quero mais
Nem que todos os barcos
Recolham ao cais
Que os faróis da costeira
Me lancem sinais
Arranca, vida
Estufa, vela
Me leva, leva longe
Longe, leva mais"



Chico Buarque - Trecho de Vida
 


Mantra

A paixão é como Deus
Que quando quer
Me toma todo o pensamento
Dirige os meus movimentos
Meu passo é teu
Meu pulso é desse todo poderoso sentimento


Rodrigo Maranhão e Pedro Luís | Na voz de Maria Rita
 



Falta algo que passe da alma para o corpo,
sem interveções da mente/do racional.


Claudio Partes
 



.
 
   

Visto
O Julgamento de Deus [God on Trial]

Caminhos
- Acesso
- Raposo | Fotos
- Le Cool | Barcelona

Leitura - Na fila
Pequena Abelha | Chris Cleave



"... para onde você vai quando um nome novo ou uma máscara
e uma capa não conseguem mais escondê-lo de si mesmo
... para onde você corre quando nenhum principado da sua
consciência lhe concede asilo"



Trecho de "Pequena Abelha" | Intervenções na pontuação Claudio Partes
 



 
Claudio Partes
   



 
Claudio Partes
   


Sampa Dez.2010 | Um curta fotográfico
Claudio Partes
[Ver apresentação no Flickr]




 
Claudio Partes | Exposição Fernando Pessoa
   

Passagem das horas

"Não sei se a vida é pouco ou demais para mim.
Não sei se sinto de mais ou de menos, não sei
Se me falta escrúpulo espiritual, ponto-de-apoio na inteligência,
Consangüinidade com o mistério das coisas, choque
Aos contatos, sangue sob golpes, estremeção aos ruídos,
Ou se há outra significação para isto mais cômoda e feliz.
...

Não sei sentir, não sei ser humano, conviver
De dentro da alma triste com os homens meus irmãos na terra.
Não sei ser útil mesmo sentindo, ser prático, ser quotidiano, nítido,
Ter um lugar na vida, ter um destino entre os homens,
Ter uma obra, uma força, uma vontade, uma horta,
Unia razão para descansar, uma necessidade de me distrair,
Uma cousa vinda diretamente da natureza para mim.
"

Álvaro de Campos | Passagem das horas - Trecho
 


Exposição
Fernando Pessoa, plural como o universo
De 24 de agosto de 2010 a 30 de janeiro de 2011
Museu da Língua Portuguesa
São Paulo





Aqui, onde não estás
Habita o vazio
Não aquele que destitui a existência
Mas o outro
Irmão da solitude.


Claudio Partes
 





 
Claudio Partes
   


A existência do silêncio

O silêncio a preencher os intervalos
Companheiro das derradeiras horas
Onde sozinhos teremos que enfrentar o íntimo da existência.

O silêncio entre as batidas do coração
o espaço para o eco,
a ausência do som,
o espaço de ouvir.

O silêncio
Entre o nascimento e a morte
A vida dentro do silêncio
Tão rica quando a vida do outro lado
Tão sonoro

Entreolham-se
Existem.

Claudio Partes
 



As vezes procuramos respostas,
e elas não aparecem...



Claudio Partes
 




 
 

Ouvindo

- Phoenix
- Mando Diao
- Five For Fighting

- Madrugada


 
Mariana de Moraes
   


There will be never be another You

"There will be many other nights like this
and i'll be standing here with someone new
there will be other songs to sing
another fall... another spring...
but there will never be another you
there will be other lips that i may kiss
but they won't thrill me
like yours used to do
yes, i may dream a million dreams
but how can they come true
if there will never, ever be another you?
there will be many other nigths like this
and i'll be standing here with someone new
there will be other songs to sing
another fall... another spring...
but there will never be another you
there will be other lips that i may kiss
but they won't thrill me
like yours used to do
yes, i may dream a million dreams
but how can they come true
if there will never, ever be another you?"


Harry Warren / Mack Gordon Por Mariana de Moraes
 


Para onde vamos quando nos distanciamos do mundo?
Quando criamos nosso próprio universo de complexidades.




"Não sei se sinto de mais ou de menos, não sei
Se me falta escrúpulo espiritual, ponto-de-apoio na inteligência,
Consangüinidade com o mistério das coisas...

Porque, de tão interessante que é a todos os momentos,
A vida chega a doer, a enjoar, a cortar...

Torna-me humano, ó noite, torna-me fraterno e solícito.
Só humanitariamente é que se pode viver.
Só amando os homens, as ações, a banalidade dos trabalhos,
Só assim - ai de mim! -, só assim se pode viver..."


Álvaro de Campos
 



“O objeto de arte não representa algo,
mas ele é algo.”




Caminhos

- Domingas e Domingos...




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