Sentidos que ficaram Pilha
Avesso
Caminho da Dati
Versões de Mim
Allienado
Por que na verdade
Ser viajante
Menina dos Girasóis + Eu + Grace Braz
Sociedade dos Poetas Tortos
A Flor da Pele
Do Meu Outro Lado de Dentro
Menina Alegria
Meias Intimidades
Memórias de Mim
A quem acredite que amizades desandem, como acredito
que haja aqueles que pensem assim sobre o amor.
Não acredito na corrupção desses sentimentos, por mais
que possam parecer sujeitos a erros e desandares', pois
acredito que se de fato forem sinceros, e isto compreende
seus lados compreensivos e outras nada racionais...
Logo se forem sinceros, estarão lá, por mais que passem
anos, tempestades e toda 'sorte' de turbolência.
Sim. Acredito que inúmeras vezes denominamos errôneamente,
tais sentimentos, em face de impulsos e desejos pessoais, neste
caso não vejo 'desandar' a amizade ou o amor, mas nossas
concepções e desejos.
Ao longo da minha curta caminhada desapontei-me duas vezes,
uma com a amizade e outra com o amor, acredito que em ambos
os casos, devem ter tido seus 'porquês', pois não acredito ser tão
normal furtar um amigo e negar o fato e dar as costas sem sem
breves palavras, ainda que tais palavras sejam duras.
Aprendi com uma jovem amiga, de 80 anos, que possui raras
amizades, dessas amizades que pouco se vêem, que sentir ou ser verdadeiro
é muito mais que estar fisicamente presente, são sentimentos e verdades
que não precisam de provas maiores, sabemos que podemos contar, que se
precisarmos estarão lá, ou nós aqui para o que der e vier.
Sem hora, lugar ou data marcada.
Ainda que se passem anos e turbulências.
Simples assim, sentimentos verdadeiros não carecem de
'porquês' ou razões. Fora isso existem diversas outras classificações,
não menos importantes, responsáveis e verdadeiras.
Assim amo e tenho amigos.
Como parte verdadeira do meu sentir, da minha vida e essência.
A eles agradeço essa verdade, ainda que nem sempre possamos
estar lado-a-lado o tempo todo.
[Claudio]
'Amigos são para sempre, mesmo que o sempre não exista'
[Felipe Tessarolo]
Por mais que faça frio,
'
é só pensar em você
que muda o dia' Los Formales y el frío
Quién iba a prever que el amor ese informal
se dedicara a ellos tan formales
mientras almorzaban por primera vez
ella muy lenta y él no tanto
y hablaban con sospechosa objetividad
de grandes temas en dos volúmenes
su sonrisa la de ella
era como un augurio o una fábula
su mirada la de él tomaba nota
de cómo eran sus ojos los de ella
pero sus palabras las de él
no se enteraban de esa dulce encuesta
como siempre o casi siempre
la política condujo a la cultura
así que por la noche concurrieron al teatro
sin tocarse una uña o un ojal
ni siquiera una hebilla o una manga
y como a la salida hacía bastante frío
y ella no tenía medias
sólo sandalias por las que asomaban
unos dedos muy blancos e indefensos
fue preciso meterse en un boliche
y ya que el mozo demoraba tanto
ellos optaron por la confidencia
extra seca y sin hielo por favor
cuando llegaron a su casa la de ella
ya el frío estaba en sus labios los de él
de modo que ella fábula y augurio
le dio refugio y café instantáneos
una hora apenas de biografía y nostalgias
hasta que al fin sobrevino un silencio
como se sabe en estos casos es bravo
decir algo que realmente no sobre
él probó sólo falta que me quede a dormir
y ella probó por qué no te quedás
y él no me lo digas dos veces
y ella bueno por qué no te quedás
de manera que él se quedó en principio
a besar sin usura sus pies frío los de ella
después ella besó sus labios los de él
que a esa altura ya no estaban tan frío
y sucesivamente así
mientras los grandes temas
dormían el sueño que ellos no durmieron.
[Mario Benedetti]
[Autoria desconhecida]
Hoje
Hoje eu acordei pensando
Numa vida boa que ainda pode melhorar
Hoje eu acordei tão leve, acordei tão leve
Vou fazer o mundo dançar
Hoje eu acordei sorrindo
É um bom motivo pra poder continuar
Se lembre que a vida é breve como fogo e neve
Como a brisa leve que vem pro mar, que vem pro mar
Trânsito retido, profetas, religiões
Ninguém se entende
Não acreditei que mesmo assim
A chave pra felicidade pode ser a paz contigo
Mas sem desespero, amor
Que quando pensa que chegou ao fim
Aí é que o amor explode, explode, explode
[Cidade Negra]
"Faço dos meus pedaços,
memórias...
Guardam saudades
Encontro de mundos."
[Detalhe do video clip da Regina Spektor | Por Marie]
A menina de asas e dedos coloridos
Havia um céu de crayon
Nos olhos 'horizontudinais'
Rubras maçãs perfumavam-lhe o rosto
que destacava-se ao longe,
antes mesmo que as mãos
de dedos coloridos
acenacem inquietas
Cinco, dez, milhares de dedos
Riscando
colorindo o céu
e a vida ao seu redor.
Era inverno
mas não de onde
se avistava a menina
de asas coloridas.
[Claudio]
[Claudiopartes]
"A crueldade de que se é capaz
Todas as formas de se controlar alguém"
O silêncio para esvair-se
O aroma para sair da pele
O corpo para esfriar
A vida para fundir-se à imaginação
Que tempo leva
Para transformar lembranças em vagar
E tudo deixar de fazer sentido
Ser sentido
Que tempo leva
As cores para esmaecerem-se
As formas para distorcerem-se
A imagem para descolar-se da retina
Os nomes dissasociarem-se
O dia para se transformar em passado
Que tempo leva
Para as perguntas não precisarem de respostas
Os adultos para voltarem a ser crianças
As toxinas para deixarem o corpo
A alma para se completar?
[Claudio]
[Soy Ahn]
De Repente
"De repente me deu vontade de um abraço...
Uma vontade de entrelaço, de proximidade...
de amizade, sei lá...
Talvez um aconchego que enfatize a vida e amenize as dores...
Deu vontade de poder rever saudade de um abraço.
Só sei que me deu vontade desse abraço...
"Esquecer as egoísta necessidades de compreensão
para se tornar comum
...
E assim o fez
Tornou-se um semelhante"
Sendo igual
não perdeu seus valores
sua identidade
E assim chegou num estágio
onde deixou de fazer sentido
'isso' ou 'aquilo'
tudo passou ser "Um",
ao mesmo tempo que "Único".
[Claudio | Introdução"Comum" - Malmal]
[Autoria desconhecida]
"Um bom espaço de silêncio"
[
].
[Marie]
[Paul Head]
"Não sabendo ser impossível,
foi lá e fez."
Impossível Amor
Morre para o futuro, tudo aquilo
que tomamos como impossível,
concluído, estagnado, findo.
Após assumirmos e decretarmos
sua condição permanente...
Nossa concepção linear, impregna
quase tudo, e o pouco que resta
muita das vezes sufocamos...
Permito-me viver acreditando no
impossível, naquilo que não vejo
Permito-me em alguns momentos,
esquecer tudo que aprendi, tudo
que por ventura esta escrito e
decrete o absoluto...
Permito-me o impossível Amor...
[Claudio]
rendez-vous nas entrelinhas;
... sonharia, de mãos dadas com a tristeza
... as palavras carregam muito mais do que aparentam.
"Na parede pintou uma corda comprida e cheia de nós, com um sol amarelo gotejante na ponta, como se fosse possível mergulhar dentro dele. Na nuvem encordoada, desenhou duas figuras - uma menina magra e um judeu murcho -, e os dois caminhavam, equilibrando os braços, em direção ao sol gotejante.
Sob o desenho, Max escreveu esta frase:
'era segunda-feira, e eles andavam na corda bamba em direção ao sol'."
Socorro, não estou sentindo
Nada Nem medo, nem calor, nem fogo, Não vai dar mais pra chorar
Nem pra rir
Socorro, alguma alma, mesmo
Que penada
Me empreste suas penas
Já nao sinto amor nem dor,
Já nao sinto nada Socorro, alguém me de um
Coração,
Que esse já não bate nem apanha Por favor,uma emoção pequena,
Qualquer coisa Qualquer coisa que se sinta,
Tem tantos sentimentos, deve ter
Algum que sirva
Socorro, alguma rua que me
De sentido
Socorro, não estou sentindo
Nem medo, nem calor
Nem vontade de chorar
Nem de rir .
- Suzanne Vega | The Queen and the Soldier
- Clint Mansell | Requiem For A Dream
- Robbie Williams | Fell
- Jamie Cullum & Marco Borsato | Dream On Caminhos
- Pega a Palavra, Pega e Come...
- Cor de Dentro
a brancura da vida;
"com meus crayons sento
e cubro o rosto,
o corpo, a alma.
numa tentativa singela
a mistificar sensações.
estabanada,
borro-me além das linhas
e mancho o mundo
em cores misturadas
de texturas espessas
perdidas entre elas mesmas
encontrando-se na maestria do branco.
domadas por pura doçura,
correm a brincar de roda,
sem soltar as mãos,
girando sem parar...
aos beijos,
fazem-se claras,
quase transparentes,
enganando todo universo
pois é na ilusória ausência
que o verdadeiro amor
se faz presente.
'às vezes eu falo com a vida
às vezes é ela quem diz
qual a paz que eu não quero
conservar
para tentar ser feliz'
Ao redor dos maiores prédios que eu já vi,
No final de um dia cheio de engolir
Cada um tem seus milagres...
Cada um tem seus milagres...
Cada um tem seus milagres...
O som dos dias que distanciam
A nossa melhor metade
Que vai ficando de lado
Pelo medo de não dormi
Que vai ficando de lado
Sem esquecermos das pequenas coisas
Que nos protegem, ...
Porque
Cada um tem seus milagres ,pra fugir
Cada um tem seus milagres, pra insisti pra não ouvir
Cada um tem seus milagres
[Marcelo Yuka | Introdução: "Minha Alma"]
Alma-te
"Sem caminhos pra seguir
na incerteza de chegar
quem decide por partir
só pensa em encontrar
um futuro com alguém... "
Onde vais menina
Daria-me um beijo
Deixaria minha alma mudar de casa
Ah moça!
Alma-te um corpo
Gosto de chuva
Pés em poças
Risos e lágrimas
Beija-me a saudade
Do teu olhar Do teu calor
"
Anjos do bem
Vão te mostrar
Que um mundo bem melhor
Existe em você"
[Claudio | Introdução e encerramento: "Quiméras | Zero]
"Sou um homem, sou um bicho, sou uma mulher
Sou as mesas e as cadeiras desse cabaré
Sou o seu amor profundo, sou o seu lugar no mundo
Sou a febre que lhe queima mas você não deixa
Sou a sua voz que grita mas você não aceita
O ouvido que lhe escuta quando as vozes se ocultam
Nos bares, na lama, nos lares, na cama.
Sou o novo, sou o antigo, sou o que não tem tempo
O que sempre esteve vivo, mas nem sempre atento
O que nunca lhe fez falta, o que lhe atormenta e mata
Sou o certo, sou o errado, sou o que divide
O que não tem duas partes, na verdade existe..."
[Mauro Kwitko | Na voz de Ney Matogrosso]
[Berenika]
A hora do trem passar
"Você tão calada e eu com medo de falar
Já não sei se é hora de partir ou de chegar
Onde eu passo agora não consigo te encontrar
Ou você já esteve aqui ou nunca vai estar
Tudo já passou, o trem passou, o barco vai
Isso é tão estranho que eu nem sei como explicar
Diga, meu amor, pois eu preciso escolher
Apagar as luzes, ficar perto de você
Ou aproveitar a solidão do amanhecer
Prá ver tudo aquilo que eu tenho que saber"
[Raul Seixas | Paulo Coelho]
Um milhão de palavras
Cem mil
versos
Milhares de imagens...
Um sentimento...
[Fotos: Claudio - Encontros e Despedidas | Troupe do Covil Imaginário]
VII Festival Minimalista Por si, já é um grande mérito um evento independente chegar a sua sétima
edição, em se tratando de Petrópolis, tal feito
torna-se ainda mais prodigioso.
Fui assistir a performance de abertura da Troupe realizadora do Evento,
o Covil Imaginário, algo maravilhoso pelas atuações, música e síntese, de
como se é possível fazer mais com menos, em muitos casos muito menos.
Ao Sidney e sua troupe e a todos os participantes muita merda ao longo
do Festival. Desejo estendido aos amigos próximos e distante que fazem
do 'palco' suas vidas: Tathiana, Perrota, Mariana, Silvios, Fábio.
Algumas apresentações
- Dia 16 | "O Tratado do Vão Combate" ................ Cia. Extemporânea de Teatro - RJ ................ Palácio de Cristal - 20h - Dia 17 | "Alecrim" ................ Mariane Ribeiro - Curupira - SP ................ Teatro Covil Imaginário - 18h ................"5 Minutos em Cena | Mostra competitiva" ................ Teatro Paulo Gracindo - 20:30h - Dia 18 | "A-5087" ................ Erica Rabelo - Curupira - SP ................ Teatro Covil Imaginário - 17h ................"... E o Mundo Vai Ver uma Flor Brotar do Impossível Chão " | Intervenção Poética ................ Troupe Covil Imaginário e Convidados ................ Rua do Imperador- 19h ................"5 Minutos em Cena | Mostra competitiva" ................ Teatro Paulo Gracindo - 20:30h - Dia 19 | "A Casa de Bernardo Alba " ................ PPCC - SP ................ Teatro Paulo Gracindo - 20:30h ................"5 Minutos de Fama | Premiação " ................ Teatro Paulo Gracindo - 21:30h
Agonia
"Se fosse resolver
iria te dizer
foi minha agonia
Se eu tentasse entender
por mais que eu me esforçasse
eu não conseguiria
E aqui no coração
eu sei que vou morrer
Um pouco a cada dia
E sem que se perceba
A gente se encontra
Pra uma outra folia
Eu vou pensar que é festa
Vou dançar, cantar
é minha garantia
E vou contagiar diversos corações
com minha euforia
E a amargura e o tempo
vão deixar meu corpo,
minha alma vazia
E sem que se perceba a gente se encontra
pra uma outra folia"
[O. Montenegro]
Encontros e Despedidas
Mande notícias do mundo de lá
Diz quem fica
Me dê um abraço
Venha me apertar
Tô chegando
Coisa que gosto é poder partir
Sem ter planos
Melhor ainda é poder voltar
Quando quero
Todos os dias é um vai-e-vem
A vida se repete na estação
Tem gente que chega pra ficar
Tem gente que vai pra nunca mais
Tem gente que vem e quer voltar
Tem gente que vai e quer ficar
Tem gente que veio só olhar
Tem gente a sorrir e a chorar
E assim, chegar e partir
São só dois lados
Da mesma viagem
O trem que chega
É o mesmo trem da partida
A hora do encontro
É também despedida
A plataforma dessa estação
É a vida desse meu lugar
É a vida desse meu lugar
É a vida
[M. Nascimento E F. Brant]
[Um Estranho no Ninho]
Caminho, tento materializar meus passos, meu corpo
fazer-me presente, sentir os pés tocar o chão
Olho para trás, cumplices de uma não planejada caminhada:
Da Vinci, Jung, Confuncio, Kardec, Fritjof Capra, Nietzsche, Joseph
Campbel, Daniel Quinn, Maria Helena Novaes, Ken Wilbert,
Schoppenhauer,
Kant,
Lewis Caroll, Marco Túlio Costa, Miró,
Quintana,
Rubem Alves, Schüller, Manoel de Barros,
Entre outros
numa sintonia caótica.
[Claudio]
Neste mês atípico, de reflexões, desencontros, encontros,
mudanças, uma 'pots' atípico, indicado e divino.
TABACARIA
"Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada. À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.
Janelas do meu quarto,
Do meu quarto de um dos milhões do mundo que ninguém sabe quem é
(E se soubessem quem é, o que saberiam?),
Dais para o mistério de uma rua cruzada constantemente por gente,
Para uma rua inacessível a todos os pensamentos,
Real, impossivelmente real, certa, desconhecidamente certa,
Com o mistério das coisas por baixo das pedras e dos seres
Com a morte a pôr umidade nas paredes e cabelos brancos nos homens.
Com o Destino a conduzir a carroça de tudo pela estrada de nada.
Estou hoje vencido, como se soubesse a verdade. Estou hoje lúcido, como se estivesse para morrer,
E não tivesse mais irmandade com as coisas
Senão uma despedida, tornando-se esta casa e este lado da rua
A fileira de carruagens de um comboio, e uma partida apitada
De dentro da minha cabeça,
E uma sacudidela dos meus nervos e um ranger de ossos na ida.
Estou hoje perplexo, como quem pensou e achou e esqueceu.
Estou hoje dividido entre a lealdade que devo
À Tabacaria do outro lado da rua, como coisa real por fora,
E à sensação de que tudo é sonho, como coisa real por dentro.
Falhei em tudo. Como não fiz propósito nenhum, talvez tudo fosse nada.
A aprendizagem que me deram,
Desci dela pela janela das traseiras da casa.
Fui até ao campo com grandes propósitos.
Mas lá encontrei só ervas e árvores,
E quando havia gente era igual à outra.
Saio da janela, sento-me numa cadeira. Em que hei de pensar?
Que sei eu do que serei, eu que não sei o que sou? Ser o que penso? Mas penso ser tanta coisa!
E há tantos que pensam ser a mesma coisa que não pode haver tantos!
Gênio? Neste momento
Cem mil cérebros se concebem em sonho gênios como eu ,
E a história não marcará, quem sabe?, nem um,
Nem haverá senão estrume de tantas conquistas futuras. Não, não creio em mim.
Em todos os manicômios há doidos malucos com tantas certezas! Eu, que não tenho nenhuma certeza, sou mais certo ou menos certo?
Não, nem em mim...
Em quantas mansardas e não-mansardas do mundo.
Não estão nesta hora gênios-para-si-mesmos sonhando.
Quantas aspirações altas e nobres e lúcidas -
Sim, verdadeiramente altas e nobres e lúcidas -,
E quem sabe se realizáveis,
Nunca verão a luz do sol real nem acharão ouvidos de gente? 0 mundo é para quem nasce para o conquistar
E não para quem sonha que pode conquistá-lo, ainda que tenha razão.
Tenho sonhado mais que o que Napoleão fez.
Tenho apertado ao peito hipotético mais humanidades do que Cristo,
Tenho feito filosofias em segredo que nenhum Kant escreveu.
Mas sou, e talvez serei sempre, o da mansarda,
Ainda que não more nela;
Serei sempre o que não nasceu para isso; Serei sempre só o que tinha qualidades;
Serei sempre o que esperou que lhe abrissem a porta ao pé de uma parede sem porta,
E cantou a cantiga do Infinito numa capoeira, E ouviu a voz de Deus num paço tapado.
Crer em mim? Não, nem em nada.
Derrame-me a Natureza sobre a cabeça ardente
0 seu sol, a sua chuva, o vento que me acha o cabelo, E o resto que venha se vier, ou tiver que vir, ou não venha.
Escravos cardíacos das estrelas,
Conquistamos todo o mundo antes de nos levantar da cama;
Mas acordamos e ele é opaco,
Levantamo-nos e ele é alheio, Saímos de casa e ele é a terra inteira,
Mais o sistema solar e a Via Láctea e o Indefinido.
(Come chocolates, pequena; Come chocolates! Olha que não há mais metafísica no mundo senão chocolates.
Olha que as religiões todas não ensinam mais que a confeitaria.
Come, pequena suja, come! Pudesse eu comer chocolates com a mesma verdade com que comes!
Mas eu penso e, ao tirar o papel de prata, que é de folha de estanho,
Deito tudo para o chão, como tenho deitado a vida.)
Mas ao menos fica da amargura do que nunca serei
A caligrafia rápida destes versos,
Pórtico partido para o Impossível.
Mas ao menos consagro a mim mesmo um desprezo sem lágrimas,
Nobre ao menos no gesto largo com que atiro
A roupa suja que sou, sem rol, pra o decurso das coisas,
E fico em casa sem camisa.
(Tu, que consolas, que não existes e por isso consolas,
Ou deusa grega, concebida como estátua que fosse viva,
Ou patrícia romana, impossivelmente nobre e nefasta,
Ou princesa de trovadores, gentilíssima e colorida,
Ou marquesa do século dezoito, decotada e longínqua,
Ou cocote célebre do tempo dos nossos pais,
Ou não sei quê moderno - não concebo bem o quê -,
Tudo isso, seja o que for, que sejas, se pode inspirar que inspire!
Meu coração é um balde despejado.
Como os que invocam espíritos invocam espíritos invoco A mim mesmo e não encontro nada.
Chego à janela e vejo a rua com uma nitidez absoluta.
Vejo as lojas, vejo os passeios, vejo os carros que passam, Vejo os entes vivos vestidos que se cruzam,
Vejo os cães que também existem,
E tudo isto me pesa como uma condenação ao degredo,
E tudo isto é estrangeiro, como tudo.)
Vivi, estudei, amei, e até cri,
E hoje não há mendigo que eu não inveje só por não ser eu.
Olho a cada um os andrajos e as chagas e a mentira,
E penso: talvez nunca vivesses nem estudasses nem amasses nem cresses
(Porque é possível fazer a realidade de tudo isso sem fazer nada disso);
Talvez tenhas existido apenas, como um lagarto a quem cortam o rabo
E que é rabo para aquém do lagarto remexidamente.
Fiz de mim o que não soube,
E o que podia fazer de mim não o fiz.
0 dominó que vesti era errado.
Conheceram-me logo por quem não era e não desmenti, e perdi-me.
Quando quis tirar a máscara,
Estava pegada à cara.
Quando a tirei e me vi ao espelho, Já tinha envelhecido.
Estava bêbado, já não sabia vestir o dominó que não tinha tirado.
Deitei fora a máscara e dormi no vestiário
Como um cão tolerado pela gerência Por ser inofensivo
E vou escrever esta história para provar que sou sublime.
Essência musical dos meus versos inúteis,
Quem me dera encontrar-te como coisa que eu fizesse
E não ficasse sempre defronte da Tabacaria de defronte,
Calcando aos pés a consciência de estar existindo,
Como um tapete em que um bêbado tropeça
Ou um capacho que os ciganos roubaram e não valia nada.
Mas o Dono da Tabacaria chegou à porta e ficou à porta.
Olho-o com o desconforto da cabeça mal voltada
E com o desconforto da alma mal-entendendo. Ele morrerá e eu morrerei. Ele deixará a tabuleta, eu deixarei versos.
A certa altura morrerá a tabuleta também, e os versos também.
Depois de certa altura morrerá a rua onde esteve a tabuleta,
E a língua em que foram escritos os versos.
Morrerá depois o planeta girante em que tudo isto se deu.
Em outros satélites de outros sistemas qualquer coisa como gente
Continuará fazendo coisas como versos e vivendo por baixo de coisas como tabuletas,
Sempre uma coisa defronte da outra, Sempre uma coisa tão inútil como a outra , Sempre o impossível tão estúpido como o real,
Sempre o mistério do fundo tão certo como o sono de mistério da superfície, Sempre isto ou sempre outra coisa ou nem uma coisa nem outra.
Mas um homem entrou na Tabacaria (para comprar tabaco?)
E a realidade plausível cai de repente em cima de mim.
Semiergo-me enérgico, convencido, humano,
E vou tencionar escrever estes versos em que digo o contrário.
Acendo um cigarro ao pensar em escrevê-los
E saboreio no cigarro a libertação de todos os pensamentos.
Sigo o fumo como uma rota própria,
E gozo, num momento sensitivo e competente,
A libertação de todas as especulações E a consciência de que a metafísica é uma conseqüência de estar mal disposto.
Depois deito-me para trás na cadeira
E continuo fumando.
Enquanto o Destino me conceder, continuarei fumando.
(Se eu casasse com a filha da minha lavadeira
Talvez fosse feliz.)
Visto isto, levanto-me da cadeira. Vou á janela.
0 homem saiu da Tabacaria (metendo troco na algibeira das calças?).
Ah, conheço-o; é o Esteves sem metafísica.
(0 Dono da Tabacaria chegou á porta.) Como por um instinto divino o Esteves voltou-se e viu-me.
Acenou-me adeus, gritei-lhe Adeus ó Esteves!, e o universo
Reconstruiu-se-me sem ideal nem esperança, e o dono da tabacaria sorriu.
[Álvaro de Campos - Fernando Pessoa | Valeu Sidney]
Ouvindo
- Lamb
- Ilya
[Al Ferreira]
Mãe
Sempre tive mais que uma mãe
Tive um ser sensível o bastante que permitiu-me
fazer escolhas, amparadas na confiança de que ao meu
lado estaria alguém a zelar e pronto a auxiliar
se fosse realmente preciso, ou da queda, dos erros,
assim aprendi a acreditar e basear minha caminhanda
na confiança, no respeito no sentir, mais que ver.
Tive e tenho a sorte de ter um dos espíritos mais fortes
que já conheci. Que inúmeras vezes fai além do limite
da compreensão, pois nele, sempre coube todas as
palavras e formas que se espera de uma mãe e um ser
preparado e consciente da sua missão:
filha, esposa, companheira, mulher, guerreira, mãe,
avó, amiga, sim todas elas num só ser, que tenho
a sorte e o amor de poder chamar de minha mãe.
Beijo Dona Renatilde, és fonte inesgotável de
inspiração e exemplo de vida.
Abraço a todas as mães, em especial aquelas
com que pude e posso compartilhar a caminhada
e aprender um pouquinho com esses seres
maravilhosos, donos de uma dádiva divina.
[Claudio]
Visto [com o Frederico] | Homem Aranha 3
Há tempos não assistia um filme 'hollywoodiano' e para 'massas'
tão bem trabalhado, acredito que terão aqueles que o agem muito
sentimentalista, que cinema deve ser diversão e só, e certamente
terá aqueles que o verão como uma mero filme espetáculo.
Eu vi mais, com o prazer de assistí-lo com meu filho, iniciando
sua jornada de dúvidas, reflexões e questionamentos.
Vi um filme no limite da diversão e reflexão, que aborda justamente
questões morais, o limite entre o certo e o errado o ser bom e mau,
amigo e inimigo, p perdoar e ser perdoado e mais o perdoar-se.
Será que sempre temos mesmo uma escolha, uma opção?
Neste próprio 'post' estava entre essa imagem, toda negra, sombria
e outra [passar o mouse sobre a imagem] que refletia nosso lado de
cores, certamente quando estamos mergulhado em dúvidas e incertezas,
só parece termos essa opção sombria, só que se formos fortes lá esta[rão]
a[s] outra[s] opção[ões] além da nuvem sombria.
Vejo também que são outros os tempos, os filmes e as formas
como as questões e informações chegam aos nossos filhos,
muitas de forma mais diretas, cheiram precocidade, horas brutalidade,
os tempos mudaram e espero que consigamos auxiliar neste rumo
a um novo tempo, e que este novo tempo seja um tempo de mais
consciência e relexão sobre nosso poder e nossas responsabiliades.
No mais fica a recomendação de assistir o filme.
[Claudio]
[Autoria desconhecida]
Um dia acordarás
Um dia acordarás num quarto novo
sem saber como foste para lá
e as vestes que acharás ao pé do leito
de tão estranhas te farão pasmar,
A janela abrirás, devagarinho:
Fará nevoeiro e tu nada verás…
Hás de tocar, a medo, a campainha
e, silenciosa, a porta se abrirá.
E um ser, que nunca viste, em um sorriso
triste, te abraçará com seu maior carinho
e há de dizer-te para teu assombro:
- Não te assustes de mim, que sofro a tanto!
Quero chorar - apenas - no teu ombro
e devorar teus olhos, meu amor…
[Mário Quintana]
A Cerca de Miró e Quintana
Eram vizinhos, na verdade mais que isso,
pois viviam mais um na caso do outro que
em suas
próprias moradas.
Um posto a brincar com as cores
e o outro com as
palavras.
Desde que se lembravam,
ou lembrava eu, eram assim:
velhinhos novinhos, feito crianças
a descobrir o mundo.
Quanto a cerca,
era mais para saber que cada
um
tinha o seu
mundo, a sua liberdade,
mas bom mesmo era beincar,
viver livre no mundo do outro.
[Claudio]
[Giuseppe Di Giulio]
O mundo somos nós
O universo somos nós
A vida somos nós
[Claudio]
"When you try your best but you don't succeed
When you get what you want but not what you need
When you feel so tired but you can't sleep...
Maybe you'll get what you wanted
maybe you'll stumbled upon it
Everything you ever wanted