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outubro 2007



Encontro

Encontrar alguém coloca-nos em contato com inúmeras possibilidades,
que vão do vazio que possa existir entre dois seres (aqui pressupõe-se,
que em toda bagagem adquirida por eles até este momento, não conta
com 'objetos' que despertem interesse comum) ao estímulo de sensações
e sensibilização para 'coisas' até então despercebidas ao longo da caminhada.

Encontrar alguém, remete também ao momento presente, e com ele o universo
que rodeia ambos os protagonistas do encontro, fazendo com que estes, neste instante sejam o que são, diferente em alguns ou muitos aspectos ao que foram e serão em outros momentos. Logo o encontro tem muito, do universo presente de cada um, filhos, companhia afetiva, relações pessoais.

Um encontro entre dois seres, mais que uma fato corporal, é o encontro de subjetividades, de bagagem abstratas carregadas ao longo da caminhada, que afetam de forma positiva ou negativa essa relação/impressão.

Existem encontros culminados por inúmeros fatores: um site na internet, uma relação profissional, da coincidência na leitura de um livro, de um esbarrão num terminal de transportes que revela que ambos estão indo para o mesmo destino ou pela 'coincidência de terem o mesmo nome e estarem usando quase as mesmas roupas... 'coincidência'?... ?).

Sendo alguns encontros mais que um apertar de mãos, tornam-se encontros atemporais, de trocas de experiências, interesses, consultas, recomendações, mutua-ajuda e colaboração, estímulos.

Sendo em alguns casos único em sua configuração física, mas para vida toda em termos de mudanças, modificando-nos para o restante da caminhada. Alguns, ainda que não careçam da presença física, não abrem mão do reencontrar-se constantemente ou de tempos em tempos. Outros não admitem distâncias maiores que um corpo.

Assim são os encontros, alguns imprevisíveis, acontecendo a partir de inusitados momentos, outros tão almejados e nunca atingidos, quer por situações circunstanciais ou pelo vazio da 'bagagem'.

Deixo o amigo na rodoviária, tendo desperto a distância de uma louca ...

[Paulo abraços do amigo Claudio, sucesso em sua caminhada]




Filme
- A Pele | Um Retrato Imaginário de Diane Arbus

Lendo
- Quase Igual | Umberto Eco
- Cantabile | Paulo de Carvalho
- A Teoria como Projeto | Guilherme Bueno

Ouvindo
- Oswaldo Montenegro, Nando Reis, Ney e Pedro Luiz






PARABÉNS
- LIVROS & LIVROS e CAFÉ AO PÉ DA LETRA

.Onde caem estrelas, nascem cataventos ...claudio






[Claudio]


EPITÁFIO | "Gozou a vida e morreu feliz"

I

O mágico desinventor, exilados de capela, o livro das mutações, andróides sonham com ovelhas eletrônicas,... livro sobre o nada, a menina que roubava livros...

Sonhou, sonhou uma vida...

Teve sonhos jogados às suas costas

Não matou a esperança

Seguiu

sonhando, vivendo e morrendo.

II



III


Pensou em construir-se da forma que lhe viam
Teve diante de si, um outro ser
Olhou-o nos olhos
Em busca de respostas
Era tão próximo dele, e tão distante
Olhou-o mais um pouco e
novamente desgraçou-se
Pois viu além dos olhos
E o que via não era mais
O que os outros viam.


"Teve mais uma parte do seu fígado dilacerado"

[Claudio]



[Autoria desconhecida]

"De que adiantavam as palavras"

Diário da Morte

Quando seus corpos acabavam de vasculhar a porta em busca de frestas, as almas subiam. Depois de suas unhas arranharem a madeira e, em alguns casos, ficarem cravadas nela, pela pura força do desespero, seus espíritos vinham em minha direção, para meus braços, e galgávamos as instalações daqueles chuveiros, escalávamos o telhado e subíamos para a largueza segura da eternidade.
E continuavam a me alimentar. Minuto após minuto. Chuveiro após chuveiro.

Nunca me esquecerei do primeiro dia em Auschwitz, da primeira vez em Mauthausen. Nesse segundo local, com o correr do tempo, também passei a pegá-los no fundo do grane penhasco, onde suas fugas acabavam terrivelmente mal. Havia corpos quebrados e meigos corações mortos. Ainda assim, era melhor do que o gás.

Alguns deles eu apanhava ainda no meio da descida. Salvei você, pensava comigo mesma, segurando suas almas no ar, enquanto o resto do seu ser- suas carcaças físicas - despencava na terra. Eram todos leves, como cascas de nozes vazias. E um céu esfumaçado nesses lugares...

Estremeço ao recordar - ao tentar desrealizar aquilo.

Deus.

Sempre pronuncio esse nome, ao pensar naquilo.

Deus.

Duas vezes eu repito.

Digo o nome d'Ele na vã tentativa de compreender.

[A Menina que Roubava Livros | Markus Zusak]



[Emile Bayard]





Ouvindo
- Theatre of Tragedy

Caminhos
- A Maria Fugiu
-
Palimpsesto: colecionadora de palavras

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."No hay errores, sólo lecciones."