
Encontro
Encontrar alguém coloca-nos em contato com inúmeras possibilidades,
que vão do vazio que possa existir entre dois seres (aqui pressupõe-se,
que em toda bagagem adquirida por eles até este momento, não conta
com 'objetos' que despertem interesse comum) ao estímulo de sensações
e sensibilização para 'coisas' até então despercebidas ao longo da caminhada.
Encontrar alguém, remete também ao momento presente, e com ele o universo
que rodeia ambos os protagonistas do encontro, fazendo com que estes, neste instante
sejam o que são, diferente em alguns ou muitos aspectos ao que foram e serão em
outros momentos. Logo o encontro tem muito, do universo presente de cada um,
filhos, companhia afetiva, relações pessoais.
Um encontro entre dois seres, mais que uma fato corporal, é o encontro de subjetividades,
de bagagem abstratas carregadas ao longo da caminhada, que afetam de forma positiva
ou negativa essa relação/impressão.
Existem encontros culminados por inúmeros fatores: um site na internet, uma relação profissional,
da coincidência na leitura de um livro, de um esbarrão num terminal de transportes que revela
que ambos estão indo para o mesmo destino ou pela 'coincidência de terem o mesmo nome
e estarem usando quase as mesmas roupas... 'coincidência'?... ?).
Sendo alguns encontros mais que um apertar de mãos, tornam-se encontros atemporais,
de trocas de experiências, interesses, consultas, recomendações, mutua-ajuda e colaboração,
estímulos.
Sendo em alguns casos único em sua configuração física, mas para vida toda em termos de
mudanças, modificando-nos para o restante da caminhada. Alguns, ainda que não careçam
da presença física, não abrem mão do reencontrar-se constantemente ou de tempos
em tempos. Outros não admitem distâncias maiores que um corpo.
Assim são os encontros, alguns imprevisíveis, acontecendo a partir de inusitados momentos,
outros tão almejados e nunca atingidos, quer por situações circunstanciais ou pelo vazio da 'bagagem'.
Deixo o amigo na rodoviária, tendo desperto a distância de uma louca ...
[Paulo abraços do amigo Claudio, sucesso em sua caminhada]

Filme
- A Pele | Um Retrato Imaginário de Diane Arbus
Lendo
- Quase Igual | Umberto Eco
- Cantabile | Paulo de Carvalho
- A Teoria como Projeto | Guilherme Bueno
Ouvindo
- Oswaldo Montenegro, Nando Reis, Ney e Pedro Luiz

PARABÉNS
-
LIVROS & LIVROS e CAFÉ AO PÉ DA LETRA
| .Onde caem estrelas, nascem cataventos ...claudio |

[Claudio]
EPITÁFIO |
"Gozou a vida e morreu feliz"
I
O mágico desinventor, exilados de capela, o livro das mutações, andróides sonham com ovelhas eletrônicas,... livro sobre o nada, a menina que roubava livros...
Sonhou, sonhou uma vida...
Teve sonhos jogados às suas costas
Não matou a esperança
Seguiu
sonhando, vivendo e morrendo.
II

III
Pensou em construir-se da forma que lhe viam
Teve diante de si, um outro ser
Olhou-o nos olhos
Em busca de respostas
Era tão próximo dele, e tão distante
Olhou-o mais um pouco e
novamente desgraçou-se
Pois viu além dos olhos
E o que via não era mais
O que os outros viam.
"Teve mais uma parte do seu fígado dilacerado"
[Claudio]

[Autoria desconhecida]
"De que adiantavam as palavras"
Diário da Morte
Quando seus corpos acabavam de vasculhar a porta em busca de frestas, as almas subiam. Depois de suas unhas arranharem a madeira e, em alguns casos, ficarem cravadas nela, pela pura força do desespero, seus espíritos vinham em minha direção, para meus braços, e galgávamos as instalações daqueles chuveiros, escalávamos o telhado e subíamos para a largueza segura da eternidade.
E continuavam a me alimentar. Minuto após minuto. Chuveiro após chuveiro.
Nunca me esquecerei do primeiro dia em Auschwitz, da primeira vez em Mauthausen. Nesse segundo local, com o correr do tempo, também passei a pegá-los no fundo do grane penhasco, onde suas fugas acabavam terrivelmente mal. Havia corpos quebrados e meigos corações mortos. Ainda assim, era melhor do que o gás.
Alguns deles eu apanhava ainda no meio da descida. Salvei você, pensava comigo mesma, segurando suas almas no ar, enquanto o resto do seu ser- suas carcaças físicas - despencava na terra. Eram todos leves, como cascas de nozes vazias. E um céu esfumaçado nesses lugares...
Estremeço ao recordar - ao tentar desrealizar aquilo.
Deus.
Sempre pronuncio esse nome, ao pensar naquilo.
Deus.
Duas vezes eu repito.
Digo o nome d'Ele na vã tentativa de compreender.
[A Menina que Roubava Livros | Markus Zusak]

[Emile Bayard]
Ouvindo
- Theatre of Tragedy
Caminhos
- A Maria Fugiu
- Palimpsesto: colecionadora de palavras
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